Ligação PT x PCC: "É para eleger o Genoíno"
-----
Recomendações do PCC
Veja mantém na internet gravações com alusão a Genoíno
por Priscyla Costa
O Tribunal de Justiça de São Paulo cassou a decisão que obrigava a revista Veja a retirar as alusões ao ex-presidente do PT, José Genoíno, feitas em uma série de reportagens sobre a suposta ligação entre o partido e a organização criminosa PCC.
A decisão é da 4ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo. A Editora Abril foi representada pelos advogados Lourival J. Santos e Alexandre Fidalgo. Cabe recurso.
Na segunda-feira (4/9), a juíza Camila de Jesus Gonçalves Pacífico, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, São Paulo, concedeu a liminar para que a Abril e a revista Veja alterassem o conteúdo de reportagem sobre Genoíno. A reportagem foi publicada na edição número 39 da revista. Ela aborda a ação movida pelo Ministério Público de São Paulo contra 25 pessoas acusadas de envolvimento com o PCC e a existência de escutas telefônicas com conversas de supostos integrantes do PCC.
A revista Veja ainda reproduz um diálogo telefônico em que um suposto integrante da facção criminosa recomenda que todos os familiares, amigos e conhecidos de presos ligados ao PCC a votar no petista José Genoíno, candidato ao governo de São Paulo nas eleições de 2002. Genoíno é candidato a deputado federal nas eleições de outubro deste ano.
A juíza considerou que não há elementos concretos que provem a existência de elo entre o PT e o PCC. Ela concedeu parcialmente a tutela antecipada e mandou retirar da internet o conteúdo editado da conversa. A juíza ordenou que fossem retiradas também da internet os trechos da gravação da conversa dos supostos criminosos em que o petista é mencionado.
O Tribunal de Justiça modificou o entendimento. A 1ª Vara Cível de Pinheiros já está sendo notificada sobre a decisão.
Revista Consultor Jurídico, 6 de setembro de 2006
Sobre o autor: PRISCYLA COSTA É REPÓRTER DO CONSULTOR JURÍDICO
| Edição 1969 . 16 de agosto de 2006 | |
Brasil
O PCC ataca. Mas também leva
Na semana em que agiu pela terceira vez, a
facção tornou-se alvo da mais contundente
denúncia já apresentada à Justiça
![]()
Juliana Linhares e Camila Pereira
Fotos Jorge Santos/Oeste Notícias/Pagos e Tiago Brand/AE![]() |
| Marcos Camacho, o Marcola, que sempre negou pertencer ao PCC: liderança confirmada nas gravações |
| |||||||||||
Cumprindo uma ameaça e um calendário que já registra quase uma investida por mês, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) deflagrou, na semana passada, a terceira onda de terror no estado de São Paulo. Desta vez, o pretexto para os atentados foi pressionar o governo a voltar atrás na decisão de transferir quarenta detentos ligados à organização para a prisão federal de Catanduvas (PR), distante quase 1.000 quilômetros de São Paulo e pioneira no regime de isolamento total (veja o quadro ). De segunda a quarta-feira, integrantes da máfia formada por presos e ex-presos das cadeias do estado desferiram mais de 100 ataques contra prédios públicos, forças de segurança, agências bancárias, postos de gasolina e supermercados. Mais de trinta ônibus foram incendiados ou atingidos por tiros. As ações envolveram o uso de armas de fogo, bombas, granadas e coquetéis molotov. Numa das mais violentas, em Cotia, na Grande São Paulo, dois homens foram mortos em tiroteio com policiais militares depois de arremessar um coquetel molotov e atirar contra um prédio da prefeitura. Na capital, uma bomba de fabricação caseira, acionada por controle remoto, explodiu de madrugada na porta do Ministério Público Estadual, no centro da cidade. O impacto da explosão abriu um buraco no chão, danificou o teto e destruiu o detector de metais e a aparelhagem de raio X da recepção do prédio. Não houve feridos.
A desolação diante de mais uma investida do crime organizado no estado só não foi maior do que a causada pelo espetáculo de incapacidade e oportunismo encenado por autoridades estaduais e federais. Os destaques foram para o secretário de Segurança Pública do estado, Saulo de Castro Abreu Filho, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A pretexto de discutir a demora no envio de uma verba de 100 milhões de reais que o governo federal prometera a São Paulo para a construção de novos presídios, secretário e ministro protagonizaram um constrangedor bate-boca pela imprensa, em que cada um se esmerou para mostrar o que tem de pior. Thomaz Bastos – usando do mesmo talento retórico que empregou no governo para ajudar o presidente Lula e seus colaboradores a livrar-se de enrascadas com a Justiça – enrolou, tergiversou e, por fim, declarou que ainda não mandara os 100 milhões de reais porque não costuma "jogar dinheiro pela janela". Saulo respondeu à maneira de Saulo: com modos e linguagem iguais aos que adolescentes malcriados empregam em brigas de rua. Dizendo-se convicto de que São Paulo não veria a cor do dinheiro do governo federal tão cedo, desafiou o ministro a apostar seu emprego contra o dele, caso estivesse errado. "É cargo por cargo", proclamou (na sexta-feira, o dinheiro foi finalmente depositado na conta de São Paulo, mas, até o fim do dia, não se tinha notícia de que o secretário houvesse pedido demissão). Entre os sofismas de Thomaz Bastos e as bravatas de Saulo, sobrou espaço para mais uma performance do governador Cláudio Lembo, aparentemente vítima de uma bipolaridade galopante. O mesmo Lembo que, diante dos primeiros ataques do PCC, havia declarado que o crime organizado era "perigosíssimo" e que a onda de violência era fruto da "maldade da elite branca", parecia ter mudado de idéia na semana passada. Segundo o governador, a nova onda de ataques do PCC não passa de "um modismo ridículo e estúpido", obra de "adolescentes".
Celso Junior/AE![]() | Raimundo Pacco/Folha Imagem![]() |
| O ministro Márcio Thomaz Bastos e o secretário Saulo de Castro (à direita): enquanto São Paulo pega fogo, um sofisma e o outro bravateia | |
Nesse espetáculo de equilíbrio e sensatez, a Justiça também deu sua contribuição. Na semana passada, a juíza Isaura Cristina Barreira, da Vara de Execuções Criminais, decidiu manter a autorização para que 707 presos da capital paulista deixassem as cadeias para comemorar o Dia dos Pais nas ruas. O Ministério Público (MP) havia pedido a suspensão da medida, alegando que, neste momento, sua manutenção seria "extremamente temerária à segurança". Em todo o estado, o número de detentos que serão autorizados a passar o Dia dos Pais em liberdade temporária deve chegar a 11.000. Segundo a PM, pelo menos 113 desses presos têm ligação com o PCC. O MP tem boas razões para temer os efeitos do benefício. A última saída temporária em massa de presos paulistas ocorreu no Dia das Mães – e não deixou boas lembranças. Foi nessa ocasião que o PCC desferiu sua primeira onda de ataques, que terminou com 54 feridos e 152 mortos. Pelo menos dezesseis dos criminosos que participaram dos atentados, apurou o MP, eram presos beneficiados pela autorização de saída temporária. Para Walter Maierovitch, especialista em crime organizado e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, a Justiça deveria ter suspendido o benefício há mais tempo. "Agora, a temperatura está altíssima. É preciso pensar na tranqüilidade da maioria dos cidadãos, e não na dos presos", afirma Maierovitch.
Na mesma semana em que desferiu sua terceira onda de ataques em três meses, o PCC também recebeu o que pode vir a ser um duro golpe. Na noite de quarta-feira, ainda sob o fogo cruzado dos atentados, o Ministério Público Estadual ofereceu à Justiça a mais robusta denúncia já feita contra membros da facção desde a sua criação, em 1993. O documento, ao qual VEJA teve acesso, tem 127 páginas e reúne provas que incriminam 25 membros do PCC – incluindo os líderes Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", Julio Cesar Guedes de Moraes, o "Julinho Carambola", Rogério Jeremias de Simone, o "Gegê do Mangue", e peças-chave da organização, como a advogada Maria Cristina Rachado. Para formulá-lo, o MP baseou-se em cinco anos de investigações feitas em conjunto com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e em mais de 200 horas de gravações telefônicas. O trabalho resultou num dos mais completos relatos sobre a organização criminosa fundada por presos do extinto presídio conhecido como Anexo do Taubaté. Além de traçarem um quadro minucioso da estrutura e hierarquia da facção, incluindo os salários de seus membros (300 reais por semana para os "recolhes", criminosos responsáveis por recolher dinheiro nas prisões, e 1.250 reais semanais para encarregados da contabilidade, por exemplo), os investigadores relatam detalhes daquilo que, afirmam, era o principal negócio do PCC: o comércio de cocaína dentro das prisões – um monopólio da facção. Conforme revela um papelório apreendido nas investigações (veja quadro), apenas em vinte presídios do estado o PCC chegava a vender uma média de 130 quilos de cocaína por mês. Cada quilo (ou "cesta", no código da organização) era comercializado por 4.000 reais. A droga vinha do Paraguai e da Bolívia e era levada às cadeias por mulheres de presos – chegava acondicionada em preservativos que elas introduziam nos órgãos genitais.
Mais importante do que esmiuçar o modus operandi da organização, no entanto, o maior trunfo do documento apresentado pelo MP à Justiça talvez tenha sido provar o que todo mundo já sabia: que Marcola é o líder máximo do PCC. Comprovar esse fato aparentemente banal era uma tarefa tão difícil quanto fundamental para a investigação. Cauteloso e inteligente, Marcola nega pertencer à quadrilha. Jamais fala ao celular e nunca foi flagrado dando ordens diretas a integrantes da facção. Diante dessa situação, enviá-lo ou mantê-lo sob o rigorosíssimo Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) sempre foi uma tarefa espinhosa. Isso porque, para que a Justiça autorize a transferência de um preso para o RDD, é preciso que se prove, por exemplo, que ele incita a subversão no sistema carcerário. Com as conversas interceptadas agora, o trabalho ficou mais fácil. Em um dos diálogos captados, uma integrante do PCC, identificada como C.P.A., conversa com um membro do Comando Vermelho preso no Rio. Em dado momento, ele pergunta a ela se Marcola é "o bravo (líder, na linguagem da bandidagem) do Primeiro Comando da Capital". C.P.A responde positivamente, acrescentando que o bandido é também "bonzinho". Os investigadores estão convencidos de que diálogos como esses garantirão a Marcola pelo menos mais um ano sob o RDD.
A denúncia oferecida pelo Ministério Público foi encaminhada à 3ª Vara Criminal da Capital. Caso ela seja aceita, os 25 denunciados – a maioria dos quais está presa em caráter provisório – poderão aguardar o julgamento confinados em uma das temidas celas do RDD. Para os investigadores, essa medida, mais a iminente transferência de quarenta líderes da quadrilha para o presídio de Catanduvas, de isolamento total, marcaria o começo do fim do PCC. Já não seria sem tempo.
|
|
|






AS FITAS DO PCC 


0 Comments:
Postar um comentário
Links to this post:
Criar um link
<< Home